A indústria 4.0 no Brasil

A indústria 4.0, também conhecida como a quarta revolução industrial, tem sido tema de muitos eventos e estudos nos últimos anos, ao mesmo tempo que sua implementação avança nas economias desenvolvidas.


Já introduzimos o conceito em outro post (https://www.foodworksweb.com.br/post/a-inovação-na-indústria-4-0), mas vale a pena recordar !


A indústria 4.0 resulta de um conjunto de inovações tecnológicas que permitem a fusão dos mundos físico e digital, forçando as empresas a repensarem seus processos e sua forma de criar valor (Klaus Schwab - A Quarta Revolução Industrial, 2018). Ela traz consigo um novo modelo de gestão para a empresa, que se baseia fortemente em dados extraídos dos seus processos e equipamentos com a ajuda de conectividade, sistemas e sensores, por exemplo.


Tecnologias como a inteligência artificial, o machine learning, a internet das coisas, o big data e a computação em nuvem são marcantes nessa revolução. No entanto, apesar do importante papel da tecnologia, dos sistemas e dos dados, a indústria 4.0 não é um projeto da área de tecnologia da informação (TI). Trata-se de um esforço da organização que depende fortemente da cultura da empresa, das pessoas, de recursos e também de sistemas.


Ao contrário do que possa parecer num primeiro momento, essa revolução não diz respeito apenas a grandes indústrias, mas a qualquer indústria independente de seu tamanho. Na verdade, ela afeta toda a cadeia ou teia de valor que une indústrias, parceiros e fornecedores, seja ela local ou global. Assim, para que todo o ecossistema funcione, é necessária a adesão de todos os participantes incluindo as pequenas indústrias.


E qual o grande ganho proporcionado pelo engajamento das empresas na indústria 4.0?

Na prática, parte-se do princípio de que, ao conectar máquinas, sistemas e pessoas, criam-se redes inteligentes por toda a teia produtiva, sendo possível prever e evitar falhas de processos, adaptar-se com mais agilidade a mudanças não planejadas, ter mais autonomia no controle de diversas ações, e ainda praticar a gestão mais eficiente baseada em dados. Portanto, o grande ganho é o aumento da produtividade como forma de manutenção da competitividade.


E como as indústrias brasileiras se encaixam nisso tudo? E aqui não estamos falando de indústrias estrangeiras que atuam no Brasil ...


A indústria brasileira e sua adesão à indústria 4.0


Com o objetivo de entender o cenário de engajamento das indústrias brasileiras na indústria 4.0, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) desenvolveu o projeto Indústria 2027: riscos e oportunidades para o Brasil diante de inovações disruptivas (http://www.portaldaindustria.com.br/cni/canais/industria-2027/o-projeto/).

Esse estudo avalia como 8 grupos de tecnologias vão impactar 10 sistemas produtivos da economia brasileira , com seus respectivos focos setoriais, até 2027. Ele foi realizado por uma equipe de 75 especialistas e contou com uma pesquisa de campo feita com 750 empresas industriais para descobrir o estágio atual de digitalização dessas organizações e as perspectivas para os próximos anos.


O estudo dispensou especial atenção às MPEs – micro e pequenas empresas (http://www.portaldaindustria.com.br/publicacoes/2019/11/riscos-e-oportunidades-para-micro-e-pequenas-empresas-brasileiras-diante-de-inovacoes-disruptivas-uma-visao-partir-do-estudo-industria-2027/), e as classificou em três grupos:

1) MPEs inovadoras – representam uma parcela bem pequena entre as MPEs e incluem startups ou pequenas empresas de base tecnológica;

2) MPEs capazes de evoluir para a fronteira de eficiência produtiva – também representam uma fração pequena das MPEs, mas superam o grupo anterior;

3) MPEs defasadas do ponto de vista de digitalização – representam a maior parte das MPEs e incluem dois subgrupos: o de empresas conscientes dos riscos da inação diante desse novo paradigma; e o de empresas com vaga ou nenhuma consciência dos riscos da inação.


Segundo o estudo, há muitas oportunidades para as MPEs inovadoras, principalmente startups, em diversos sistemas produtivos, tanto nos ecossistemas tecnológicos liderados por grandes empresas quanto oportunidades de serem protagonistas ou, ao menos, coadjuvantes importantes nos processos de inovações disruptivas.

Por sua vez, as MPEs capazes de evoluir para a fronteira de eficiência produtiva, a partir de adoção de plataformas de manufatura avançada e da participação em ecossistemas de inovação, também encontram oportunidades em diversos sistemas produtivos, dentre eles, agroindústria e petróleo e gás.


Quanto às MPEs defasadas do ponto de vista de digitalização, existem inúmeros desafios mas também existe um caminho a ser trilhado até a indústria 4.0, caminho esse que vale a pena percorrer. É sobre isso que falaremos em nosso próximo post.


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